
Julgamento? Eu?
dezembro 15, 2022
Por que tantos executivos estão praticando Mindfulness?
dezembro 15, 2022Estamos enfrentando uma crise em proporções que a sociedade moderna não havia experimentado até então, um vírus que se instalou inicialmente no outro lado da terra, está causando consequências complexas e imensuráveis no planeta e ainda é cedo para sabermos quais serão os impactos, consequências, mudanças ou mesmo o que essa experiência tem a nos ensinar ou o que virá de desse momento que estamos vivendo. Os últimos dias despertaram muitas emoções e me fizeram refletir bastante, seja como indivíduo, seja como empreendedora e consultora, e o/a convido a fazer algumas leituras junto comigo.
Existem certamente muitas leituras sobre o momento e vou me ater a algumas que pessoalmente me parecem relevantes, o que não exclui, é claro, outras formas de ver ou outros pontos de vista.
A maioria das sociedades ocidentais tem hoje, como valores principais, o consumo exacerbado, a satisfação e o prazer individual, o egoísmo, a ausência de senso de comunidade. Esse momento delicado está nos conduzindo e até mesmo nos obrigando a rever e repensar certos valores individualistas em função da necessidade de ajudarmos o outro e sermos ajudados nessa travessia e assim pensarmos e coexistirmos de uma forma mais coletiva.
Umas das consequências mais rápidas e visíveis até agora é diminuição do ritmo na economia global, o que ao mesmo tempo impactou nos indicadores de emissão de poluente, mas por outro lado, traz incertezas nas projeções do crescimento da econômico dos países. A exploração e uso indiscriminado dos recursos naturais de forma acelerada nos coloca em rota de colisão com o equilíbrio do planeta, parar uns dias (e nesse caso podem ser semanas) pode ser estratégico para nosso aprendizado sobre como estamos cuidando de nossa casa, do nosso lugar.
Estamos experimentando alguns medos profundos: O medo do colapso do sistema de saúde, das perdas econômicas, medo da falta (de itens de higiene e comida, por exemplo), medo do desconhecido, medo da morte, e em última instância o medo do desaparecimento como humanidade. Alguns são medos muito reais, outros mais subjetivos, mas que não deixam de existir no campo do (in)consciente. Não estou aqui criticando, minimizando ou dizendo que o medo não é bem-vindo ou necessário. Até certo ponto, o medo nos leva a fazer escolhas sábias, como melhorar nossa higiene pessoal lavando as mãos com frequência ou não nos expor em locais com aglomerações, especialmente se está entre os grupos de risco. Mas o medo em demasia gera um alto nível de estresse e causa paralisia, pânico, angústia e grande grau de sofrimento. Segundo a antroposofia, uma sociedade que é governada pelo medo em demasia é uma sociedade que está adoecida e precisa repensar os valores e crenças que estão guiando e norteando suas ações, decisões e formas de viver e se relacionar.
O momento está testando nossa capacidade de fazer escolhas, o nosso livre arbítrio. Estamos o tempo todo, consciente ou inconscientemente, fazendo escolhas, decidindo o que consumir, o que ler, com o que nos ocupar, para onde ir, no que e onde canalizar nossa energia. E agora, está bem claro que mesmo pequenas atitudes do nosso dia a dia não têm a ver só comigo, mas elas afetam diretamente muitas outras pessoas, aqui ao nosso lado ou do outro lado do mundo. Com grande autonomia, vem grandes responsabilidades.
Estamos sendo urgidos a tomar consciência de quem somos, compreender que somos células similares do mesmo corpo, somos neurônios do mesmo cérebro, que somos compostos do mesmo tecido e da mesma energia. A vida está propondo que nos conscientizemos de um senso de coletividade e pertencimento, somos todos da mesma matéria, no qual não estamos isolados ou sozinhos, mas que existe uma interdependência contínua e uma conectividade sistêmica que regula e está presente invariavelmente, e da qual somos parte única. Somos seres individuais, mas estamos conectados com o todo: olhar a coletividade cuida não só do outro, mas também de mim e daqueles à minha volta.
E vejo que, diante daquilo que nos é possível neste momento, estamos sendo solicitados, mais que nunca, a praticar nossa capacidade de Presença. Mesmo diante das incertezas, do sofrimento, do isolamento, da impermanência da vida, é tempo de presença, de recolhimento e de mantermos nossos pensamentos e ações equilibrados, e dentro do possível manter uma visão realista, mas positiva sobre a situação. No isolamento social, temos uma oportunidade única de nos recolher (internamente) e praticar essa capacidade de sustentar o que é. Uma presença que traga não só clareza mental e sabedoria para saber quando e como agir, mas também que nos ajude a reduzir o nosso estresse e sofrimento. Nosso nível de consciência e nosso (des)equilíbrio estão guiando nossas ações, a cada instante. É uma boa oportunidade para nutrir uma mente presente e o pensamento equilibrado, para fazermos escolhas sábias e conscientes, para o nosso bem, da nossa família, da nossa cidade, e da humanidade.
E você, com qual nível de presença, clareza e sabedoria está lidando com o momento que se apresenta? Compartilha comigo com têm sido sua experiência. Essa é uma decisão de cada um, mas que tem um peso gigantesco em momentos como esse.
Para contribuir com esse momento que pede consciência e presença, irei conduzir práticas gratuitas de mindfulness ou atenção plena pelas próximas semanas pelo meu Instagram @luciene.gmoreira, em parceria com a Cruzando Histórias. Toda terça, quinta e sábado às 21h, ao vivo. Me segue lá para ser informado quando começarmos as lives.



