
A Cultura de Confiança nas Empresas e seu impacto na performance dos times
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Todas nossas relações na sociedade acontecem sobre um pilar básico: a comunicação, seja a verbal e principalmente a não-verbal. E quanto prestamos atenção nesse aspecto fundamental da nossa interação com o mundo interior e exterior?
Diria que muito pouco. Aprendemos a nos comunicar de forma rudimentar e pobre, recheada de julgamentos, acusações e ressentimentos, olhando apenas para nossas próprias necessidades e valores. E considerando que nos relacionamos com o outro, que está fora de nós e tem suas próprias expectativas experiências, não deveria causar estranheza que essa dinâmica não funcione e tenhamos tantos distúrbios nesse processo, gerando uma comunicação ineficiente e muitos conflitos.
De acordo com um dos grandes especialistas em comunicação empática, Marshall Rosenberg, toda forma de violência é a expressão trágica de uma necessidade humana não atendida. Com essa abordagem, podemos entender o impacto que a comunicação tem na forma como estabelecemos o diálogo interno que alimentamos constantemente, bem como na forma como nos expressamos e nos relacionamos com o mundo à nossa volta.
Sendo assim, grande parte dos conflitos pessoais e sociais que enfrentamos diariamente está diretamente relacionado a nossa incapacidade de expressar claramente alguma necessidade que nosso ser anseia que seja atendida. A forma pobre como fomos ensinados a nos comunicar raramente nos permite expressar de maneira clara e objetiva o que precisamos e como gostaríamos que essas necessidades fossem atendidas. Assim, vamos alimentando relacionamentos que não fluem, não são sadios e muito menos benéficos para todos, criando um ambiente propício ao surgimento de conflitos, dos mais simples aos mais complexos.
Isto não significa que não possamos melhorar a forma como nos comunicamos, mas ao contrário, se desejamos criar conexões profundas com as pessoas e nutrir relações mais positivas seja pessoal ou profissionalmente, anseios básicos da essência humana, precisamos melhorar a forma como expressamos esses anseios e necessidades, e desse modo gerar relacionamentos positivos e que de fato nutram essas vontades. Precisamos reaprender a nos comunicar, como aprendemos a andar ou a falar, aprender os pilares básicos de uma comunicação genuína e verdadeira e entender o quanto os relacionamentos são influenciados diretamente pela forma como nos expressamos, tanto positiva quanto negativamente.
Em meditação, especialmente no estilo Mindfulness, bem difundido atualmente, os grandes desafios são perceber esse diálogo mental que estabelecemos conosco, e que conduz nossos hábitos, valores, relacionamentos e nossa capacidade de regular nossos julgamentos, o auto-julgamento e o julgamento em relação ao outro. A capacidade de desenvolver essa habilidade tem papel fundamental no nosso bem-estar, nos nossos hábitos e no sucesso em diferentes aspectos da nossa vida.
Seja no papel de pais, vizinhos, professores, funcionários ou liderando equipes, nossos relacionamentos são determinados pela forma como dialogamos, e quando falamos especificamente de ambientes corporativos, em especial o papel fundamental que o líder tem não só na geração de resultados para o negócio, mas também na valorização e desenvolvimento das pessoas e times, aprender a se comunicar de maneira genuína e efetiva tem um impacto significativo na construção de relacionamentos, e times e ambientes saudáveis.
O renomado economista chileno Manfred Max-Neef elaborou uma matriz das necessidades humanas básicas da era moderna, e dentre as nove necessidades básicas listadas reside a necessidade de entendimento ou empatia, que está relacionada a nossa habilidade de comunicação e consciência crítica, que permite que mantenhamos um senso de conexão e pertencimento social e que consigamos expressar nossos desejos.
Contudo, como podemos melhorar nossa capacidade de nós comunicar? Onde reside e como desenvolver esse intrínseco desejo de nos conectar e desenvolver empatia pelo outro? Para conseguir melhorar nossos relacionamentos o primeiro passo, e por parecer tão simplista o subestimamos, será começar a olhar nossos hábitos de comunicação e como conseguimos não só identificar nossas necessidades mais intrínsecas, mas também como as expressamos. Para gerar esses canais de comunicação com o próximo e para que eles aconteçam da maneira produtiva e fluida, precisamos mover o foco da atenção da minha própria necessidade para compreender a necessidade do outro com o qual me comunico, ou seja, ter um olhar mais amoroso e empático com o próximo. Só a partir dessa premissa, vou perceber o ponto de partida do outro, os valores que o movem, e assim conseguir estabelecer um canal de comunicação profundo e genuíno, possibilitando estreitar laços com aqueles à minha volta, seja nas relações familiares, e principalmente nas relações sociais e profissionais.
Luciene Moreira é empreendedora, consultora, coach e apaixonada por ajudar a gerar negócios mais conscientes e pessoas a se reconectarem com seus propósitos. Terapeuta quântica, viajante, praticante de meditação há 10 anos, formada em gestão de projetos colaborativos Dragon Dreaming, apaixonada por negócios e pessoas e estudiosa dos temas de liderança e novos modelos de gestão, consciência e espiritualidade, neurociência, psicologia positiva e mind hacking. É CEO da YUP Happiness Consulting, uma consultoria de gestão e felicidade, que desenvolve estratégias e soluções de negócios conscientes, com propósito e lucratividade e capacita pessoas para se conectarem com todo seu potencial e despertarem a felicidade interna.



